segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Uma prece

No meio do cimento, muitas vezes uma sementinha consegue burlar todo o concreto e encontrar um caminho , um meio de esticar um ramo. E nasce uma flor. Um pé de planta teimoso e resiliente.
Que em meio a esse caos que nos encontramos sejamos essa semente, que cresce e sobrevive. Que lida com tudo que não é saudável e belo e encontra um caminho pra crescer. Que enfrentemos essa pandemia com esperança de ver a luz e dias melhores. Que possamos não apenas sobreviver mas viver...

terça-feira, 28 de julho de 2020

As perdas nossas de cada dia

Tem um momento que a gente não quer mais contar os números de quem se foi.
Não quer ver a dor alheia - como forma de defesa.
Porque ter medo também dói.
Paralisa.
Acelera os batimentos.
Te faz acordar na madrugada.
Embaralha os seus pensamentos.
Mas quando os números não param de crescer.
É impossível não ver.
A doença está ao lado.
Ausências se fazem cada vez mais presentes.
E mais perto de você.

sexta-feira, 17 de julho de 2020

A dor em números

17 de março = 1 morto
17 de abril = 2.141 mortos
17 de maio = 15.663 mortos
17 de junho = 45.456 mortos
17 de julho = 76.822 mortos

quinta-feira, 9 de julho de 2020

69.184

Outro mês.
Inúmeras mortes.
Mães que deixaram seus filhos.
Filhos que deixaram seus pais.
Amores que não puderam ser vividos.
Beijos e abraços que não serão mais dados.
Nascimentos que foram impedidos.
Sorrisos que se desfizeram nos lábios.
Lágrimas que não param de pingar dos olhos de muitas famílias.
E ainda sim, há pessoas que não se comovem com a dor alheia.
Seguimos em grupos.
Os que se isolam.
Os que se isolam só quando é conveniente, fugindo do trabalho, mas furando isolamento para festas e encontros.
Os que querem se isolar e não podem.
Os que podem isolar e que não querem.
A pandemia não mostra só o caos nos hospitais e a situação ao redor do mundo, mostra o melhor e o pior dos seres humanos. Nunca me imaginei nesse cenário, vendo tantas mortes nos arredores e tantos negando esses fatos.
Governantes que não se entendem. Uns querem proteger a população, outros buscam satisfazer o interesse dos grandes empresários, alguns pensam apenas nas próximas eleições. Declarações públicas que confundem as pessoas, que incitam brigas e enganam muitos.
Estamos em meio a um imenso cenário de guerra.
Remando com a fé diante desse turbilhão de incertezas.
Vivemos esperando dias melhores, notícias melhores, um mundo melhor.
Que Deus nos ajude.



sexta-feira, 5 de junho de 2020

34.021

Mais um mês se passou.
Muitas história se encerraram.
Lágrimas estão sendo derramadas.
Corações seguem despedaçados.
O medo ainda assola nossas vidas.
A desigualdade social crescente segue fazendo vítimas.
A dor permanece.
O descaso ainda é imenso.
Os números não diminuíram, eles aumentam assustadoramente.
Continuamos mantendo a fé, porque somente ela nos resta.
A pergunta é: até quando?

domingo, 24 de maio de 2020

Dias cinzas

Dizem que a dor transforma as pessoas.
Mas há pessoas que parecem não sentir dor, a não ser a do seu próprio ego.
Elas não possuem empatia.
E solidariedade é algo que não conhecem.
São duras e frias.
Egoístas. 
Diante da morte de mais de 22000 brasileiros, saem empenhando bandeiras como se fossem armas. 
Vestem a camiseta do país como armaduras. E  bradam gritos de ódio a quem discorda do que pregam.São as pessoas de bem de hoje, patriotas brasileiros que desfilam com roupas dos States. Que defendem políticos que fazem piada com as minorias. 
Somente a vida delas importa. 
Desfilando em carros importados querem que seus funcionários voltem a trabalhar, sem proteção adequada, sem transporte adequado, com salário reduzido pelo bem da nação, que pra eles se resume na figura do patrão que ficará protegido em casa, tendo um plano de assistência médica que permite ser transferido de helicóptero. 
Vivemos tempos difíceis  em que muitos acham que a opinião vale mais do que a ciência e por esse motivo saem espalhando notícias falsas para fazerem valer aquilo que pensam.
Justificam preconceito como liberdade de expressão. Colocam seu direito acima de qualquer outro. Querem fazer valer pela força imposta suas opiniões deturpadas como verdades a serem aceitas sem quaisquer questionamentos.
Muitas vezes li livros que falavam sobre o nazismo, fascismo. Mas via isso com olhos distantes. E me perguntava como as coisas aconteceram, como as pessoas podiam ter comprado aquelas ideias e apoiado  pessoas daquele tipo. Lamentavelmente , hoje a resposta está bem diante dos meus olhos.



domingo, 10 de maio de 2020

Sobre o dia de hoje

Hoje é dia das mães.
Em algumas casas haverá encontros, abraços e festa.
Em outras, resguardo.
Em muitas, sorrisos.
Em tantas outras, ausências.
A data não passa em vão.
A força motriz da vida é a mãe.
Nem todas sentem do mesmo modo.
Nem todas querem ser mães.
Mas todas , mal ou bem, tiveram suas mães.
Presentes.
Imperfeitas.
Ausentes. 
Necessárias.
Dispensáveis.
Amorosas.
Lastimáveis.
Todas vieram de uma mãe, de uma mulher.
Seja por amor ou só pela dor. 
Mais do que dia das mães, dia de pensar nas relações que ocorrem para que as mulheres se tornem mães. De refletir sobre a mulher e seus desejos, suas possibilidades e escolhas. E também frustrações. 
Ser mãe é dar oportunidade à vida e muitas vezes abrir mão da própria vida, de quem gostaria de ser. 
Nem sempre é uma escolha. Inúmeras vezes é imposição. 
Não há a receita pronta da mãe que todas deveriam ser. Isso é uma mentira imposta. A maternidade nem sempre é romântica e feliz.
Neste dia, a proposta é ouvir e acolher, não apenas felicitar. 
Ouça uma mãe. 
Ouça uma mulher que ainda não é mãe.
Ouça uma mulher que não quer ser mãe.
Ouça uma mulher que não pode ser mãe. 
Seja ouvidos e não julgamentos.
Cada uma sabe das dores, anseios e desejos.
Esteja atento aos preconceitos que a sociedade  impõe e assumimos como nossas verdades. 
Abra seu coração para acolher o que é diferente dos seus ideiais.
A vida é mais colorida quando permitimos ver além das cores que escolhemos para nós.